Um estudo recente sobre a realidade habitacional em Portugal revela que, apesar de a casa continuar a ser um dos principais ativos das famílias, a pressão orçamental está a adiar decisões importantes, sobretudo ao nível da eficiência energética e das obras de melhoria.

De acordo com o estudo “Habitação: um compromisso com a transição energética sob pressão financeira”, desenvolvido pelo Observador Cetelem, a maioria dos portugueses mantém uma forte ligação à sua casa: 90% assume ter uma relação emocional com a habitação e 94% afirma estar satisfeito. No entanto, essa satisfação é, na sua maioria, moderada.

Quando analisados fatores como custos de manutenção, estado de conservação e conforto térmico, os níveis de satisfação diminuem significativamente. Apenas uma minoria se mostra totalmente satisfeita com as despesas associadas à habitação ou com o isolamento e eficiência térmica do imóvel.

Fatura energética gera preocupação crescente
A energia surge como um dos principais fatores de incerteza para as famílias portuguesas. Uma parte significativa demonstra preocupação com a subida do preço da eletricidade e com a capacidade futura para suportar esses encargos.
Apesar de existir consciência de que a eficiência energética valoriza o imóvel e permite reduzir custos mensais, algo confirmado por quem já realizou intervenções, o investimento inicial continua a ser o principal obstáculo. Os custos das obras de melhoria energética são apontados como o motivo mais frequente para o adiamento ou cancelamento de projetos de renovação.

Conforto continua a ser prioridade
O estudo revela ainda que a principal motivação para investir na habitação é o conforto, superando claramente as preocupações ambientais. Ainda assim, muitos proprietários mostram intenção de realizar obras, embora apenas uma parte avance efetivamente com os projetos.
No que respeita ao financiamento, predominam os capitais próprios, mas o recurso ao crédito para obras começa a ganhar expressão, sobretudo entre os mais jovens, que encaram esta solução como uma forma natural de valorização patrimonial.