Habitação continua a absorver uma grande parte do orçamento dos jovens portugueses Os custos associados à habitação continuam a representar um dos maiores encargos para os jovens portugueses, levando muitos a adiar a saída de casa dos familiares. Apesar das dificuldades financeiras e do aumento do custo de vida, a maioria procura adaptar os seus hábitos, reforçar os rendimentos através de novas fontes... 29 jul 2026 min de leitura Os custos associados à habitação continuam a representar um dos maiores encargos para os jovens em Portugal. Segundo o estudo "Intenções de Consumo 2026", desenvolvido pelo Observador Cetelem, uma parte significativa do rendimento mensal dos jovens é destinada ao pagamento da prestação da casa ou da renda, bem como às restantes despesas associadas à habitação. Atualmente, cerca de 37% dos jovens vivem em casa própria, sendo que 23% ainda têm um crédito à habitação, enquanto 26% residem em casas arrendadas. Perante o elevado custo da habitação, aproximadamente 30% dos jovens permanecem a viver com familiares, adiando a sua independência financeira. O estudo revela ainda que, para metade dos jovens inquiridos, os encargos com a habitação representam até 30% do rendimento mensal. Já cerca de um terço afirma destinar entre 31% e 50% do seu salário ao pagamento da prestação ou da renda. Para além destes custos, despesas essenciais como eletricidade, água, gás e alimentação continuam a ter um peso significativo no orçamento. Ainda assim, áreas como a saúde, a restauração e o vestuário também representam uma parcela importante das despesas mensais. Apesar das dificuldades económicas, os jovens continuam a privilegiar o seu bem-estar. As viagens surgem como uma das principais prioridades, seguidas pelas subscrições digitais e pela prática de desporto. O estudo conclui igualmente que uma grande parte dos jovens acaba por gastar mais do que previa em atividades de lazer, influenciada sobretudo por promoções, recomendações de familiares e amigos e pelas redes sociais. No que diz respeito à mobilidade, o aumento do preço dos combustíveis levou muitos jovens a alterar hábitos. Entre os que possuem automóvel, a maioria admite reduzir deslocações ou recorrer com maior frequência aos transportes públicos. A longo prazo, muitos demonstram interesse na aquisição de um veículo elétrico, sendo o preço de compra e o custo dos combustíveis os fatores que mais influenciam essa decisão. Mesmo com um orçamento cada vez mais pressionado, 78% dos jovens afirmam conseguir poupar, destinando, em média, cerca de 15% do seu rendimento para esse objetivo. As principais finalidades passam pela preparação da reforma, pela criação de um fundo de emergência e, apenas depois, pela compra de habitação. O estudo indica ainda que o rendimento médio dos jovens ronda os 1.489 € mensais e que 74% já possui ou pondera ter uma segunda fonte de rendimento, seja através de um segundo emprego ou de um projeto paralelo. Esta realidade reflete a necessidade de reforçar o poder de compra e fazer face ao aumento do custo de vida. As limitações financeiras levam também muitos jovens a adiar projetos pessoais. Mais de metade admite não dispor de orçamento para concretizar objetivos como viajar, comprar casa ou realizar obras de renovação. Para tornar esses projetos possíveis, muitos equacionam recorrer ao apoio familiar ou à contratação de crédito. Apesar dos desafios atuais, o estudo deixa uma nota de algum otimismo. Quase metade dos jovens acredita que a sua situação financeira irá melhorar nos próximos anos e demonstra confiança numa recuperação gradual do poder de compra, mantendo o foco na poupança, no investimento e na preparação do futuro. Partilhar artigo FacebookXPinterestWhatsAppCopiar link Link copiado