Eficiência energética: Portugal enfrenta desafio na renovação das habitações A eficiência energética está a ganhar cada vez mais importância no mercado imobiliário europeu. Em Portugal, onde uma grande parte das habitações é antiga e apresenta baixos níveis de desempenho energético, a renovação dos edifícios será um dos grandes desafios dos próximos anos. A melhoria do isolamento, das janelas e... 26 ago 2026 min de leitura Portugal tem ainda um longo caminho a percorrer na melhoria da eficiência energética dos seus edifícios. Com uma parte significativa do parque habitacional construído há várias décadas e com baixos níveis de desempenho energético, a renovação das casas assume cada vez maior importância. A pressão para acelerar este processo aumentou depois de a Comissão Europeia ter iniciado procedimentos contra os Estados-membros que ainda não transpuseram integralmente para a legislação nacional a nova Diretiva relativa ao Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD), conhecida como “Diretiva das Casas Verdes”. Um parque habitacional envelhecido Em Portugal, cerca de metade das habitações foi construída antes de 1980, numa época em que as preocupações com o isolamento térmico e a eficiência energética eram bastante diferentes das atuais. Os dados da certificação energética revelam também o desafio existente: aproximadamente dois em cada três imóveis certificados apresentam uma classificação energética de C ou inferior. As classes mais eficientes continuam a representar uma parcela reduzida do parque habitacional, com apenas uma pequena percentagem dos imóveis a atingir as classificações A e A+. Este cenário significa que existe um elevado potencial para melhorar o conforto das habitações, reduzir o consumo de energia e diminuir os custos associados à climatização. Renovar pode significar poupar A melhoria do desempenho energético de uma casa não implica necessariamente uma remodelação completa. Intervenções como o reforço do isolamento, a substituição de janelas ou a melhoria da eficiência dos equipamentos podem ter um impacto significativo no consumo energético. Segundo estimativas da Comissão Europeia, a melhoria do desempenho energético de uma habitação poderá representar poupanças anuais que podem chegar aos 900 euros por agregado familiar, dependendo das características e das intervenções realizadas. Para além da poupança, estas melhorias podem contribuir para aumentar o conforto térmico e reduzir problemas associados a habitações demasiado frias ou húmidas. A importância do certificado energético O certificado energético assume um papel cada vez mais relevante no mercado imobiliário. Além de ser obrigatório em determinadas operações, permite conhecer o desempenho energético do imóvel e identificar possíveis medidas de melhoria. Para quem pretende comprar, vender ou arrendar uma casa, a eficiência energética é também um fator que merece atenção. À medida que as exigências ambientais aumentam, imóveis com melhor desempenho poderão ganhar maior atratividade junto dos compradores e arrendatários. O que pode mudar nos próximos anos? A Diretiva Europeia prevê uma evolução gradual dos requisitos de desempenho energético dos edifícios, incluindo a promoção de edifícios novos com emissões nulas a partir de 2030 e uma redução progressiva da utilização de sistemas de aquecimento baseados em combustíveis fósseis. Portugal terá, por isso, de acelerar a definição e implementação das medidas necessárias para a renovação do seu parque habitacional. Para os proprietários, este contexto reforça a importância de olhar para a eficiência energética não apenas como uma questão ambiental, mas também como um investimento na valorização, conforto e competitividade do imóvel no futuro. Partilhar artigo FacebookXPinterestWhatsAppCopiar link Link copiado