Os preços das casas em Portugal continuam a subir a um ritmo muito elevado, atingindo novos máximos históricos. No entanto, segundo o geógrafo Gonçalo Antunes, as medidas criadas para resolver a crise da habitação só deverão ter efeitos visíveis dentro de 4 a 6 anos.

De acordo com os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), o preço mediano das casas aumentou 16,8% em 2025, chegando aos 2.076€/m². No último trimestre do ano, a subida foi ainda maior, atingindo os 17,5%.

Apesar de existirem medidas com impacto imediato, como o controlo de rendas, o especialista explica que soluções estruturais, como a construção de novas habitações, demoram vários anos a produzir resultados.

Outro dado preocupante é que o preço das casas duplicou em menos de 10 anos, enquanto os rendimentos das famílias não acompanharam essa subida. Este desequilíbrio tem vindo a agravar-se de forma contínua.

Mesmo perante acontecimentos que normalmente travariam o mercado, como a pandemia, a guerra na Ucrânia, a inflação ou a subida das taxas de juro, os preços da habitação continuaram a aumentar. Parte desta pressão deve-se à procura internacional, investimento estrangeiro e crescimento do turismo.

Para resolver o problema, Gonçalo Antunes defende:
  • Mais construção, mas direcionada para a classe média
  • Aumento da habitação pública
  • Incentivo ao arrendamento acessível
  • Reativação das cooperativas de habitação
Algumas medidas recentes, como apoios aos jovens e benefícios fiscais, são vistas como positivas, mas também levantam críticas, sobretudo pelos limites considerados elevados, que podem estar a contribuir para o aumento dos preços.

A conclusão é clara: o mercado imobiliário atravessa um período de grande pressão, e ainda não há sinais concretos de quando esta tendência poderá abrandar.